Marx Beltrão e Marcelo Victor podem adotar mesma estratégia na proporcional de 22
   16 de setembro de 2021   │     21:08  │  0

As chances para a volta das coligações proporcionais diminuem a cada dia. No Senado, a PEC aprovada na Câmara dos Deputados, encontra resistências. A proposta ainda vai ser votada na CCJ, mas já recebeu parecer contrário (veja texto anterior).

No cenário de hoje, em que os candidatos a deputado – federal e estadual – terão que disputar a eleição apenas por um partido e não uma coligação, montar chapas viáveis não será fácil em Alagoas.

No estado são apenas 27 vagas na Assembleia Legislativa e 9 na Câmara dos Deputados. O quociente eleitoral – número mínimo para eleger o primeiro parlamentar em cada chapa – deve oscilar entre 55 mil e 60 mil para estadual e de 165 mil a 180 mil votos para federal, dependendo de abstenção, nulos e brancos.

Para esse cálculo, estimei 70% de votos válidos. Uma projeção “otimista”. Se o total de votos válidos for menor, o quociente também cai.

Na regra atual, os principais candidatos a deputado federal tendem a se agrupar em torno três chapas mais fortes. Uma do PSB, no grupo de JHC. Outra no MDB, no grupo de Renan Filho. E outra no PP, no grupo de Arthur Lira.

Formar chapas fora desses grupos é tarefa complexa. No entanto, ao menos dois líderes do Estado percorrem essa “estrada” e dão sinais de que poderão montar chapas viáveis para deputado federal em 22.

O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor (SDD), deve assumir o comando do DEM no próximo ano e montar no partido uma grupo capaz de eleger de um a dois deputados federais. Nessa tarefa MV conta a experiência do ex-deputado Givaldo Carimbão, que pode encontrar nessa articulação o “caminho de volta” para Brasília.

Quem também surge com boa possibilidade de montar uma chapa é o deputado federal Marx Beltrão (PSD). Ao seu favor tem a boa votação nas eleições anteriores e um partido com tempo de TV e fundo partidário, além de aliados com boa densidade eleitoral na capital e interior.

Marx Beltrão trabalha com uma estratégia parecida com a de Marcelo Victor. A proposta é garantir a uma vaga e abrir perspectiva para a eleição de um segundo nome na chapa.

É o tipo de argumento que costuma funcionar na política alagoana. Com estratégia semelhante, vários políticos de Alagoas já chegaram a Câmara dos Deputados ou a Assembleia Legislativa em eleições anteriores.

No PSB, tudo indica que João Caldas vai montar, com a ajuda de JHC, uma boa chapa. O PP de Arthur Lira tem, além do próprio, nomes fortes que podem entrar na disputa, a exemplo de Davi Davino Filho. E o MDB, de Isnaldo Bulhões, deve ter o reforço de Alfredo Gaspar de Mendonça e de outros nomes competitivos.

A dúvida agora é se outros partidos vão conseguir montar suas chapas. Com será a estratégia de nomes de peso de legendas que, no momento, não teriam chapas viáveis?

Aí cabem, entre outros, Rui Palmeira (Podemos), Sérgio Toledo (PL), Nivaldo Albuquerque (PTB), Tereza Nelma e Pedro Vilela (PSDB), Severino Pessoa (PRB), Paulão (PT) e Marcius Beltrão (PDT).

É praticamente consenso entre políticos alagoanos que serão formadas quatro, no máximo cinco frentes competitivas para deputado federal em 22. Ficar fora delas é um risco. E alto.

Assim, é provável que os candidatos se reagrupem em blocos menores ou busquem espaço no MDB, PP e PSB. O problema é saber quem será aceito. E sim, vai ter muito candidato “barrado” na última hora. Mas essa é outra história.