Acordo com Braskem pode deixar JHC com bilhões “em caixa”
   16 de outubro de 2021   │     19:03  │  5

A Braskem negocia um acordo com a prefeitura de Maceió. A informação consta até dos relatórios oficiais da empresa para o mercado.

A dúvida agora é quando e em quanto o “Acordo para Reparação Socioambiental” será fechado. Ao que se sabe, as negociações começaram há cerca de seis meses.

A equipe do prefeito João Henrique Caldas (PSB) quer pelo menos R$ 10 bilhões a mais do que teria sido oferecido pela Braskem, revela a coluna Radar, da Revista Veja, em texto do começo deste mês (veja abaixo).

E quanto a Braskem ofereceu à prefeitura? Um importante interlocutor, revela que a proposta  mais recente estava em R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 5 bilhões. Se correta a informação de Veja, a prefeitura quer entre R$ 12,5 bilhões e R$ 15 bilhões.

O problema, no entanto, não se resumiria a valores. A equipe do prefeito JHC defende que o valor do acordo seja repassado para a prefeitura. Já os representantes da Braskem parecem preferir que própria empresa faça uso do recurso em ações (obras e serviços) de reparação, a partir do acordo com o município.

Em outras palavras, poderia ser criado um grupo para definir o que seria gasto em investimentos de obras, custeio, mobilidade, entrega de equipamentos a exemplo de automóveis, mobília de creche, hospital., etc.

A empresa já prevê, em seu relatório trimestral, gastos desse tipo.

“Medidas sócio urbanísticas, nos termos do Acordo para Reparação Socioambiental assinado em 30 de dezembro de 2020, com a destinação de R$ 1.580 milhões para adoção de ações e medidas nas áreas desocupadas, ações de mobilidade urbana e de compensação social, sendo R$ 300 milhões para indenização por danos sociais e danos morais coletivos e para eventuais contingências relacionadas às ações nas áreas desocupadas e ações de mobilidade urbana”, diz trecho do documento.

“Adicionalmente, o Acordo para Reparação Socioambiental prevê a eventual adesão de outros entes, incluindo o Município de Maceió. Para este fim, a Companhia vem conduzindo análises adicionais e se encontra em fase de negociação com o Município de Maceió”, revela o relatório.

Independente do valor ou da forma, JHC caminha para ter o maior volume de investimentos na história recente de Maceió.

Para se ter ideia, o Orçamento de Maceió para 2021, que chega a pouco mais de R$ 2,57 bi, prevê investimentos de R$ 156 milhões. O valor mínimo negociado com a Braskem seria, 16 vezes maior.

Mesmo que não coloque os recursos “em caixa”, JHC terá, após fechamento do acordo condições de realizar obras e serviços de impacto em Maceió.

Ele ou o vice-prefeito, Ronaldo Lessa. Há quem acredite que o prefeito segue animado com a ideia de disputar o governo já em 2022. Mas essa é outra história.

Leia o que diz Veja

Acordo da Braskem com a Prefeitura de Maceió ameaça desmoronar

Deve ruir a tentativa de acordo entre a Braskem e a Prefeitura de Maceió no caso do afundamento de bairros da capital por causa do desmoronamento de minas de sal da companhia.

Quem acompanha a discussão em torno da indenização que a petroquímica deve pagar ao governo municipal — para além da questão das famílias — diz que a pedida da prefeitura supera em 10 bilhões de reais a oferta de indenização da empresa.

Leia aqui, na íntegra: Acordo da Braskem com a Prefeitura de Maceió ameaça desmoronar

Veja aqui o relatório da Braskem: RESULTADOS 2T21

 

COMENTÁRIOS
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  1. Marcus Santos

    O problema que a prefeitura deveria vislumbrar não é somente esse: Com todas as áreas que aparecem nos mapas da Braskem, os moradores de 4 ruas, inseridas nos meandros do furacão ficaram desamparados. Os moradores do Conjunto Lima Jr, defronte do “inserido nos mapas” Hospital Sanatório ficaram desamparados pela empresa e pela Prefeitura. Como responder se toda a região ao redor do Hospital fora evacuada, toda área da então Vila Saem fora evacuada e estão sendo indenizados e os moradores de 04 ruas do conjunto que são perpendiculares ao Hospital ficaram?
    Não se entende e nem se aceita essa inércia estatal.
    Quer dizer que havendo uma subsidência do bloco do Mutange e repuxando toda a área anterior do Hospital, já evacuada e indenizada, estariam os moradores livres de problemas?
    Essas respostas precisamos ter, os moradores da localidade viram a prefeitura isentar de IPTU, de taxas de Bombeiro, na tentativa de deixar os moradores sem embasamento legal de cobrar os valores devidos e ficaram inertes a esses pagadores de impostos…
    O conjunto hoje é um deserto, ninguém transita após as 20hs ruas desertas e povo abandonado.
    Incrível viver tudo isso. Incrível ver a que ponto chegamos…

  2. Clau

    Valor suficiente para eleger governador, senador, deputados federais e estaduais. Pobre da população maceioense que não verá um centavo dessa fortuna em obras que beneficiarão a Cidade.

  3. Há Lagoas

    É dinheiro demais para se confiar nas mãos de políticos e seus planos de governos. E não falo necessariamente de JH Caldas, mas da classe política como um todo.
    É preferível que através de estudos técnicos, aval do judiciário e com participação do município, a própria Braskem coordene estas obras. ou corremos o risco da corrupção, inércia e incompetência jogar toda essa dinheirama no ralo.
    E com relação a mobilidade urbana – o problema mais crônico de Maceió – espero que JH Caldas implemente o VLT nas av. Menino Marcelo, unindo o antigo trajeto da velha linha férrea que margeia a lagoa Mundaú a parte alta da capital. Estudos técnicos para isso já existe, e seria importantíssimo para nossa cidade. Só falta o prefeito cumprir o que Renan – filho – prometeu e não cumpriu após visitar a China…

  4. Josinaldo pereira

    Esse prefeito jhc só vive de mídia não faz nada,e fica usando as obra que Rui palmeira deixou não tem uma obra desse prefeito que só vive de mídia, ele até não disse para que veio fraco, baixou a passagem e precarisou o serviço,anda pegando carona nas obras que Rui palmeira deixou, mostrar um projeto seu jhc não tem.

  5. Interiorano

    Até hoje, eu não entendi porque se o afundamento do solo é gravíssimo (pode ocorrer a qualquer momento), como se diz, por quê ainda há pessoas e veículos transitando pela área! E aqui, deixo uma pergunta : Já imaginaram se daqui a 20 ou 30 anos não acontecer nada! Qual será a explicação dada e que seja convincente?

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