Derrotas inesperadas no UB e Republicanos que só a “matemática” explica em AL
   3 de outubro de 2022   │     9:11  │  0

Até o último momento da apuração das eleições em Alagoas os deputados federais Paulão (PT) e Nivaldo Albuquerque competiram ‘voto a voto’ para ver quem ficaria com a última vaga em disputa para a Câmara dos Deputados.

Com mais de 97% dos votos já apurados, os dois trocaram de posição entre eleito e não eleito em diversas parciais, até, que no final a vaga ficou como deputado do PT por um detalhe – literalmente.

O Republicanos bateu na trave. E como. Faltaram pouco mais de 600 votos para Nivaldo ficar com a vaga. Explico.

Nas eleições deste ano a regra que valeu foi a do quociente partidário, com possibilidade para eleição para partidos que alcançassem no mínimo 80% do quociente eleitoral.

O quociente para federal em Alagoas foi muito mais alto do que se imaginava. A estimativa era que atingisse 170 mil. Era.

Apesar da alta abstenção no Estado (77,61% votantes e 22,39% ausentes), o número de votos nulos (69.554 ou 3,86%) e brancos (78.592 ou 4,36%) para deputado federal foi baixo.

Com isso, o quociente eleitoral foi bem mais alto do que na eleição de 2018 (162 mil votos).

Este ano, 1.654.645 de eleitores deram votos nominais ou de legenda para federal em Alagoas. Com isso o quociente (votos válidos divido pelas vagas) chegou a 183,8 mil votos.

Pela regra, apenas três chapas – PP, MDB, e a federação PT/PV/PCdoB – conseguiram ultrapassar o quociente partidário, fazendo deputados diretos: PP com dois e outros dois com um cada.

As cinco vagas que sobraram passaram a ser disputa por média ou sobras, mas só entrou na disputa a chapa que atingiu no mínimo 80% do quociente eleitoral, que foi de 147.079 votos. Nesse quesito, a primeira vaga por média foi para o União Brasil, que teve 170 mil votos. Alfredo Gaspar de Mendonça, com seus 102 mil votos não conseguiria chegar lá não fosse a votação expressiva (43 mil votos), de Rodrigo Valença.

Pela lógica, a próxima vaga seria do Republicanos. Seria. O partido somou 146.523 votos e por 567 votos não atingiu os 80%.

Sem que o Republicanos ou outros partidos, a exemplo do PSB, com 117,9 mil votos ou PSD com 78,5 mil atingissem os 80% do quociente, as outras quatro vagas foram disputadas entre PP que levou mais duas e MDB e Federação, que ficaram com uma cada um.

Ao fim e ao cabo, um deputado do UB foi eleito com média de 170 mil votos, do PP com média de 136,5 mil, do MDB com média de 130,3 mil e da Federação com média de 117 mil.

Um desfecho inesperado

A derrota de Davi Maia (UB) foi uma das mais surpreendentes e inesperadas da eleição para deputado estadual deste ano em Alagoas.

O parlamentar montou uma das melhores chapas e fez tudo que tinha que fazer. A “matemática” era simples: quem tivesse mais de 20 mil votos seria eleito na chapa. Ele próprio tem mais de 26 mil votos, mas ficou na primeira suplência por dois fatores surpreendentes; foi superado por candidatos que não se imaginava que tivessem mais votos que ele, mas cresceram muito na reta final ( Leonam e Mesaque) e seu partido fez apenas 3, quando o prognóstico era que fizesse 4.

A matemática pesou de forma desfavorável para o UB. O partido não teve sobras suficientes para eleger nenhum parlamentar, se limitando a eleição de 3 pelo quociente partidário.

Assim, considerando a média de votos por vagas, o UB elegeum estadual com 67,3 mil votos, enquanto a Federação PT/PV/PCdoB conseguiu eleger com uma média de 53,1 mil votos. Essa mesma regra deixou fora outros nomes que tinham chances de chegar lá, a exemplo de Ângela Garrote (PP) e Galba Novais (MDB). Mas essa é outra história.