Renan ou Arthur Lira? Com antagonismo em alta, Lula terá que escolher um dos dois
   23 de novembro de 2022   │     23:57  │  0

Os dois maiores líderes políticos da Alagoas de hoje – inquestionavelmente – levaram as divergências locais para o cenário nacional e terão influência no próximo governo do presidente Lula, pelo bem ou pelo mal que podem causar.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) acena com a PEC do auxílio em troca de apoio a sua recondução à presidência da Casa. Por tabela, um acordo com ele significa uma aliança com o Centrão. A aprovação do projeto daria (dará?) a Lula a possibilidade cumprir uma de suas principais promessas de campanha.

O senador Renan Calheiros (MDB), ex-presidente do Congresso Nacional, com papel destacado na oposição ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e na eleição de Lula, de quem foi aliado de todas as horas, tem alertado o presidente eleito de que uma aliança com o Centrão representa erro grave, que pode inviabilizar o futuro governo. Como alternativa, Renan Calheiros tem oferecido a possibilidade de formar uma frente ampla no parlamento, para garantir a governabilidade a Lula.

O presidente eleito terá que escolher um dos dois. No Brasil de hoje não tem espaço para Renan e Arthur nem mesmo numa sala de reunião, que dirá no mesmo governo.

Quem conhece Lula aposta que ele tentará dar um jeito de ficar com os dois. Se isso é possível, o presidente eleito talvez seja o único no país com traquejo para conseguir realizar tal feito. Mas terá que usar toda a habilidade, do contrário poderá ter dois adversários de muito peso no Congresso Nacional.

Alerta

Nesta quarta-feira (23/11), antes de participar de reunião do Conselho Político da transição comandada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, o senador Renan Calheiros deu entrevista à GloboNews. E mais uma vez renovou o alerta ao presidente eleito, que teria cometido um “erro” ao negociar a PEC com o Centrão. Para o senador, é uma “armadilha” e há alternativas melhores.

“Eu acho que nós tivemos equívocos […] O que se recomenda como encaminhamento para um governo que se elegeu numa eleição tóxica, cheia de ensinamentos, é que se construa em primeiro lugar uma maioria congressual, com ela se eleja os presidentes das duas Casas, e depois surpreenda, com os partidos aliados a partir dos compromissos da campanha eleitoral, uma pauta que pode ser priorizada. Nós tivemos uma inversão dessa ordem. O novo governo tentou começar pela discussão da PEC e ocultou o fato de que a PEC, repito, não é caminho único”, declarou o senador.

Ele complementou dizendo achar que “recorrer ao Centrão” antes mesmo de tomar posse “também foi um erro”.

“Isso é muito ruim, manter essas estruturas ilegais, inconstitucionais de poder. Eu, toda vez que falo disso, eu lembro de um ditado que é muito usado na Espanha: ‘cria corvos e eles comerão seus olhos’. Nós estamos diante dessa realidade. O Centrão sempre faz a mesma coisa. Fez no final do governo da presidente Dilma, fez no governo do Michel [Temer], a partir do momento em que chegaram os pedidos de impeachment, e fez no governo do Jair Bolsonaro. Primeiro ele [o Centrão] elege os presidentes das Casas, depois ele começa a receber os pedidos de impeachment e tomam os governos. Não dá pra criar uma serpente no nosso quintal”, criticou Calheiros.

Veja trecho da entrevista no Twiter: