Category Archives: Agronegócios

37ª Expo Bacia: abertura é marcada pela expectativa de retomada do setor 
   4 de outubro de 2019   │     20:01  │  0

A 37ª Expo Bacia Leiteira abriu as portas do Parque Mair Amaral oficialmente na quarta-feira,2, em Batalha/AL e segue até este sábado, 5. O evento reúne criadores de Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco e Bahia, entre outros Estados. São mais de 500 animais participando da exposição, julgamentos e torneio leiteiro.

A abertura da exposição contou com presença de autoridades, entidades e do governador Renan Filho. O evento foi marcado pelo clima de recuperação,  bons negócios e avanços produtivos.

Os produtores aproveitaram para apresentar ao governador  demandas por redução da carga tributária,  com o objetivo de viabilizar escoamento de parte da produção de leite para estados do nordeste – especialmente Pernambuco.

A assinatura de acordo quer permitiu a comercialização de leite in natura com Bahia e Sergipe, a partir de abril de 2019, ajudou a recuperar os preços pagos ao produtor em cerca de 30%. Antes do acordo, assinado entre os governos dos três estados, o preço pago pelo leite era de cerca de R$ 1 e agora está em cerca de R$ 1,30.

Segundo as entidades que representam os produtores, se o governo conseguir acordo igual (comercialização do leite in natura sem impostos) com Pernambuco, o preço pago ao produtor pode melhorar um pouco mais.

Recuperação

Após uma crise enfrentada no início do ano, a Expo Bacia Leiteira chega para consagrar o trabalho da bacia leiteira que envolve a economia de 28 municípios, produzindo mais de 80% de todo o leite de Alagoas (cerca de 800 mil litros por dia).

Segundo Domicio Silva, presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), o evento será substancial   para recuperação  após crise  enfrentada no começo do ano.

 “Estamos em plena retomada, já com bons resultados. O setor sai de uma dificuldade climática, mas tivemos bom inverno e vivemos expectativa positiva para elevação de preço. Parabenizamos parabeniza a prefeitura e  governo por esse evento que se tornou  importante para  o nordeste, tendo Batalha tem como berço referencial da qualidade do leite”, destacou Silva.

O governador Renan Filho aproveitou a ocasião para enfatizar os investimentos feitos em investimentos  em melhoria genética, transferência de embriões, mecanização da produção, em apoio às prefeituras.

“Abrimos o mercado e fizemos uma área de livre comércio com Sergipe e Bahia e queremos fazer isso com Pernambuco. Isso vai aumentar as possibilidades de venda do produto local, aumentar a rentabilidade para o produtor, e aumentar o equilíbrio para esse setor que vive momentos de  dificuldade”,  disse Renan Filho.

Maior e melhor a cada ano, a Expo Bacia Leiteira reune mais de 500 animais em exposição, torneio leiteiro e julgamentos  das raças gir leiteiro e girolando, incluindo a participação do rebanho da agricultura familiar. O evento ainda vai levar ao criador as últimas novidades do setor através de Seminários, cursos e oficinas.

Apoiador do evento, o deputado Paulo Dantas, enfatizou a importância da articulação política em proteção ao setor.  “O cenário do leite tem avançado, saímos do valor de R$ 1,00 para R$ 1,30, e vamos reforçar esse acordo com o estado de Pernambuco para viabilizar a comercialização.  Estaremos na Assembleia para ajudar aos alagoanos seja aprovando os créditos que o governador encaminhar quanto aprovando projetos como o de produção de queijos artesanais”,

A Expo Bacia Leiteira segue até sábado ,4,  em Batalha, com programação diária gratuita, das 8h às 22h. O evento também oferece opção de lazer paras as famílias com programação de shows e parque infantil, além de estrutura de parque de alimentação  e estandes.

Alagoas vai tirar o queijo artesanal da clandestinidade
   24 de setembro de 2019   │     11:38  │  0

O produtor de queijo de Alagoas pode ser facilmente confundido com um subversivo. Teima em viver na clandestinidade,  acredita no que faz e continua produzindo mesmo nos tempos das vacas magras (será por falta de opção?).

A clandestinidade parece agora estar com os dias contados. Vários estados já aprovaram leis regulamentando a produção do queijo artesanal. A lista inclui PE, SE, RS, MG, PB, PR E RN.

Em julho de 2019 foi sancionada lei federal que regulamenta o queijo artesanal, além do Selo Arte do governo federal. Ainda assim a FPI, o MP e órgãos do governo do Estado continuam “perseguindo” nossos queijeiros.

Essa “perseguição” parece estar, enfim, perto de acabar. A Assembleia Legislativa de Alagoas realizou sessão especial para discutir a lei do queijo artesanal. Agora só falta a aprovação.

Jó Pereira presidiu audiência pública na ALE que discutiu a regularização do queijo artesanal em Alagoas

Versão oficial

Veja texto produzido pela assessoria da deputada Jô Pereira sobre a sessão especial

Cadeia produtiva participa da construção de legislação que regulamenta e desburocratiza produção de alimentos artesanais
Pequenos produtores, agricultores, empresários, representantes de associações, prefeitos e outros gestores públicos de todo o estado lotaram o plenário da Assembleia Legislativa na tarde desta segunda-feira (23), compartilhando suas experiências e contribuindo com várias sugestões acerca da legislação, em tramitação na Casa, que regulamenta e desburocratiza a produção e comercialização de produtos artesanais comestíveis em Alagoas.

Propositora da sessão especial, a deputada Jó Pereira (MDB) é também autora dos projetos de lei que simplificam as exigências para produção, processamento e comercialização desses produtos comestíveis (de origem animal, vegetal e de micro-organismo ou fungo), produzidos de forma artesanal e por micro agroindústrias, assegurando tratamento diferenciado e simplificado nas áreas fiscal e tributária; de crédito; de licenciamento ambiental; organização social e econômica; produção e comercialização, entre outras.

As sugestões, que podem ser encaminhadas também para o e-mail [email protected] até o dia 30 deste mês, serão discutidas com os órgãos responsáveis, com a Comissão de Agricultura da Casa e demais interessados antes da apreciação das matérias no plenário da Casa de Tavares Bastos. Acatando uma sugestão da plenária de regionalizar a discussão, Jó propôs ao deputado Paulo Dantas que apresente a legislação durante o seminário da Cadeia Produtiva do Leite, na 37ª Expo Bacia Leiteira, no começo de outubro, em Batalha.

“Precisamos fortalecer a produção local, principalmente as rurais. Muitas queijarias, casas de farinhas foram fechadas em razão da fiscalização dos órgãos competentes. Não que isso seja errado, mas é necessário possibilitar a legalização do pequeno produtor, levando em consideração que hoje, para regulamentar sua atividade, ele leva muito tempo a um alto custo. Nosso desafio é desburocratizar e diminuir esses custos, beneficiando pequenos produtores e micro agroindústrias, cujos estabelecimentos estão à mercê da burocrática legislação federal por ausência de uma legislação estadual”, explicou a parlamentar, na abertura da sessão.

“Estamos desenhando o caminho que deve seguir o pequeno produtor ao produzir queijos, manteiga, dando a ele segurança jurídica, sem descuidar da segurança alimentar e da proteção ao meio ambiente”, completou Jó, ao apresentar os principais pontos da legislação proposta.

O deputado Paulo Dantas (MDB) lembrou que em muitos estados os produtores já começaram a sair da irregularidade e está na hora de Alagoas seguir o mesmo caminho. “Estarei ao lado da deputada Jó Pereira apoiando para que os projetos sejam aprovados em caráter de urgência”, garantiu. Yvan Beltrão (PSD), presidente da Comissão de Agricultura, reforçou que desde o início da legislatura a Assembleia tem priorizado às questões relacionadas aos agricultores, principalmente da Bacia Leiteira.

Davi Maia (DEM) apresentou um resumo da legislação federal em vigor sobre o assunto, sugeriu algumas mudanças nas propostas e frisou a importância da colaboração dos produtores, principalmente em relação à qualidade das instalações sanitárias. Já Francisco Tenório (PMN) reforçou a necessidade de maior atenção à cadeia produtiva do leite.

*Exemplo de Minas*

O superintendente da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) de Minas Gerais, Gilson de Assis Sales apresentou a legislação vigente em seu estado, que regulamenta as queijarias e a produção artesanal de alimentos de origem animal e vegetal. Ele explicou que a primeira legislação, do queijo minas artesanal, está em vigência desde 2002, mas no ano passado foi elaborado um projeto de lei para regulamentação dos demais queijos artesanais.

“Ainda estamos em fase de regulamentação desse novo projeto, mas desde 2002, quando houve a permissão de vender o queijo minas legalmente dentro do Estado, percebemos e acompanhamos uma grande evolução na regulamentação desses queijos e dos produtores, que aumentaram sua renda. A gente também observou o retorno de jovens para o campo e uma grande evolução na segurança alimentar para a população”, destacou o superintendente.

Sobre as propostas da deputada alagoana, Gilson de Assis destacou que se trata de uma legislação muito necessária para o desenvolvimento do Estado: “Pela nossa experiência e pelo que vimos dos projetos postos, eles têm uma similaridade muito grande com nossa legislação. É um caminho oportuno que vocês estão seguindo”, disse, sugerindo uma lei mais enxuta, para que, em seguida, o Poder Executivo regulamente os procedimentos de fiscalização: “O importante é uma legislação equilibrada, que permita ao produtor rural regularizar sua produção”.

*Experiências e sugestões*

Paulo Bezerra Nunes, gerente da Vigilância Sanitária Estadual, falou sobre as dificuldades causadas pela informalidade da produção artesanal, destacou a iniciativa louvável da regulamentação e apresentou pequenas sugestões às leis. Carlos Alberto de Mendonça Neto, presidente da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal) defendeu a atuação do órgão, dentro da legalidade, falou da intenção de aproximar a agência da classe produtora e da importância da aprovação do projeto: “Os produtores de Alagoas precisam e merecem esse reconhecimento”.

Domício Silva, presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA) também apresentou sugestões à legislação e defendeu que o tema seja debatido mais profundamente antes da votação em plenário. Luana Cipriano, professora do Ifal de Batalha, falou sobre as linhas de pesquisa de queijos elaboradas no Instituto e os cursos ofertados aos produtores sobre boas práticas na ordenha e em procedimentos técnicos para produção, apelando às autoridades que dêem mais atenção aos institutos federais.

Ermi Ferreira, gerente de licenciamento do Instituto do Meio Ambiente (IMA) e o superintendente da Semarh, Ricardo Sérgio de Paula Freitas, discorreram sobre o impacto ambiental decorrente da informalidade e a importância da regulamentação dos empreendimentos, respectivamente.

O secretário de estado de Agricultura, Silvio Bulhões, destacou a relevância da cadeia produtiva do leite e parabenizou os parlamentares pela discussão do tema. “A regulamentação será atendida de pronto pela Seagri, pela Adeal e será tratada como prioridade pelo governo do Estado para que os produtores sejam beneficiados com a legislação proposta”, afirmou, acrescentando a necessidade de solucionar também as limitações impostas aos pequenos e médios laticínios, por exemplo.

Ao encerrar a sessão, Jó Pereira pediu atenção especial da Seagri e da Emater para a execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), lembrando que a Casa garantiu e irá garantir novamente este ano, no orçamento, recursos para o programa. Ela disse esperar que o estado construa o plano para o fortalecimento da cadeia de produção do queijo artesanal, frisando que, além da legislação, também são necessárias políticas públicas de apoio a produção agrícola.

Participaram da sessão também a deputada Ângela Garrote (PRTB); o superintendente da Emater, Elizeu Rego; a prefeita de Major Izidoro, Santana Mariano, representando a AMA; prefeito de Coruripe, Joaquim Beltrão; prefeita de Palestina, Lane Cabudo; presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios, Arthur Vasconcelos; presidente do Sindleite, André Ramalho; representantes do Ministério da Agricultura, Ifal, associações diversas, entre outros.

*(Ascom deputada Jó Pereira)*

Câmara pode barrar cota de etanol e ‘estremecer’ relação do Brasil com EUA
   23 de setembro de 2019   │     15:42  │  0

O coordenador da bancada federal de Alagoas, Marx Beltrão (PSD) e o líder do Progressistas (PP), Arthur Lira, participara de reunião com produtores de açúcar e etanol de Alagoas, realizada pelo Sindaçúcar-AL, nesta segunda-feira, 23, pela manhã.

O tema central do encontro foi o aumento da cota de importação de etanol dos Estados Unidos para o Brasil. A cota sem impostos que era de 600 milhões de litros aumento para 750 milhões de litros por ano, a partir de 31 de agosto passado.

A medida, segundos os produtores, prejudica principalmente o setor sucroenergético no Nordeste. As importações do etanol de milho americano geralmente é feita a partir do Maranhão e se concentra durante o período da safra de cana-de-açúcar nordestina.

“Estamos começando a safra agora na região e a maioria das indústrias pretende concentrar ampliar a produção de etanol, que está mais competitivo do que o açúcar. A importação neste momento é extremante prejudicial para todo o setor”, aponta Pedro Robério Nogueira, presidente do Sindaçúcar-AL.

Com alternativa ao aumento da cota de importação, os produtores sugeriram várias medidas compensatórias, entre elas a distribuição proporcional por regiões produtoras. Assim, 6% do etanol seria desembarcado no Nordeste e o restante nas demais regiões.

O governo federal tem negociado, mas ainda não apresentou nenhuma medida compensatória efetiva.

Sem um acordo, a bancada federal do Nordeste deve pressionar pela derrubada da cota de importação.

O deputado federal Arthur Lira, hoje um dos mais influentes líderes do Congresso Nacional, diz que a questão pode ser resolvida com a aprovação de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) tornando sem efeito a portaria do governo federal que autorizou o aumento da cota de importação.

“Na semana passada não tinha dúvida nenhuma de que o decreto legislativo seria aprovado para derrubar o decreto presidencial. A coisa pior que pode acontecer e está acontecendo no Brasil hoje é o Executivo está tomando decisões sem ouvir previamente o Congresso, o que era uma prática recorrente dos presidentes reunir os líderes partidários, ou para comunicar ou para discutir, para ouvir, para saber como pensam as bancadas. Mas não, nós somos surpreendidos com estes decretos, que certos ou errados, de costumes como os da armas, ou de cunho econômico como esse do etanol eles influenciam diretamente na vidas das pessoas”, disse Arthur durante conversa com os empresários.

O líder do PP disse que a decisão sobre a derrubada da cota de importação será decidida na reunião de líderes, nesta terça-feira: “amanhã às 10hs teremos reunião com os líderes dos partidos e o presidente da Câmara dos Deputados (Rodrigo Maia). A preocupação do governo é clara, porque não partiria dando sugestões se não tivesse o risco de ter o decreto revogado. Neste momento, neste tema, seria uma desmoralização do governo brasileiro perante o governo americano. Então essa semana a gente pode ter um raio x muito rápido dessa situação. Vamos precisar de um feedback dos produtores de etanol de São Paulo e de outros Estados (para uma tomada de decisão)”, disse.

Como opção ao enfrentamento, Lira disse que é possível retomar questões como a venda direta. “Se o setor achar que é conveniente fazer uma negociação, se a venda direta de etanol pode voltar agora como barganha nessa situação, se decidirmos por esse caminho, minha sugestão é que expressem até onde vale a pena”, apontou.

Arthur Lira disse que existe espaço para a derrubada da cota de importação e criticou a relação do governo brasileiro com os EUA. “O governo que tem uma relação com os Estados Unidos de uma maneira muito perigosa para a economia brasileira. Poderia ter feito (aumento da importação) através de projeto de lei ou de medida provisória, que teria efeito imediato e poderia ser consertada no Congresso. Mas não fez. Quando não faz o Congresso tem tido um posicionamento muito firme geralmente nessas questões”, afirmou.

Arthur Lira partida de reunião no Sindaçúcar-AL

Vale a pena ler de novo:

Em defesa de agricultores do NE, deputados querem barrar ‘afago’ de Bolsonaro a Trump

 

Em defesa de agricultores do NE, deputados querem barrar ‘afago’ de Bolsonaro a Trump
   12 de setembro de 2019   │     16:37  │  1

A cota de importação de etanol americano para o Brasil sem impostos deveria acabar no dia 31 de agosto deste ano. Não só não acabou, como o presidente Jair Bolsonaro decidiu aumentar o benefício para os Estados Unidos. De 600 milhões para 750 milhões de litros por ano.

O ‘afago’ foi tão bom que o presidente americano, Donald Trump comemorou no Twitter a medida que está trazendo “grandes progressos para agricultores” – os americanos, claro.

“Será ainda melhor para o etanol e nós vamos salvar as nossas pequenas refinarias”, disse Trump num Twitter que depois resolveu apagar porque pegou mal – para Bolsonaro, óbvio.

O xis da questão está na declaração de Trump. Ele salva as pequenas refinarias dele, mas condena as nossas.

A importação de etanol sem impostos afeta em cheio as indústrias do Nordeste. Isso porque praticamente toda a importação do etanol de milho americano se dá pelo Estado do Maranhão.

São cerca de 35 usinas e destilarias de cana-de-açúcar que geram 300 mil empregos no NE. Essas empresas enfrentam dificuldades com a queda dos preços do açúcar no mercado mundial e a concorrência desleal do etanol americano.

Se o governo brasileiro “precisou” autorizar o aumento da importação sem impostos ou se foi apenas um afago no “ídolo” Trump, não se sabe de fato. E pouco importa. Representando os interesses dos agricultores brasileiros, especialmente do Nordeste, deputado federais brasileiros entraram no embate.

O Projeto de Decreto Legislativo 614/19 suspende o aumento da cota de importação de etanol de 600 milhões de litros por ano para 750 milhões de litros anuais sem a incidência de tributos teve o regime de urgência aprovado por 319 votos contra apenas 101 esta semana (veja links abaixo).

O texto suspende os efeitos da Portaria 547/19, do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e “outros”, da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia. Segundo os autores, a medida prejudica os produtores brasileiros de etanol.

Pelo menos oito deputados federais assinam o PDL 614/19. Entre eles o “líder” do Centrão, Arthur Lira (PP-AL). Outro influente deputado federal de Alagoas, Isnaldo Bulhões (MDB-AL) também participa das articulações para pressionar o governo federal a encontrar medidas compensatórias para os produtores do Nordeste.

Bulhões adianta que a questão deve ser definida em reunião na próxima terça-feira na Câmara dos Deputados. Até lá, os deputados vão esperar por alternativas que devem ser apresentadas pelo governo brasileiro ou pelos produtores.

Em reunião essa semana com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na Câmara dos Deputados, Isnaldo discordou dos argumentos de perspectivas de futuro, apontados pelo governo brasileiro: “o problema é entregar realidade e receber expectativa. Não dá para convencer ninguém só com boas perspectivas”, afirma.

Segundo Bulhões, a Câmara negocia uma saída que evite prejuízos ao Nordeste, mas que também não prejudique o Sul e Sudeste. “Como deputados estamos defendendo os interesses do Brasil e dos nossos agricultores. A votação do Projeto de Decreto Legislativo faz parte dessa negociação. Os representantes do setor produtivo e o governo estão em busca de propostas compensatórias, que viabilizem um entendimento. O que não podemos é aceitar que o Nordeste e o Brasil sejam prejudicados”, aponta.

Saiba mais:

Proposta suspende aumento da cota de importação de etanol

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Produção de etanol em Alagoas está ameaçada por cota que beneficia EUA

 

Deputado de Alagoas quer barrar à importação de etanol dos EUA
   6 de setembro de 2019   │     13:28  │  0

É pura política. E não apenas internacional. O presidente dos EUA, Donald Trump comemorou o decreto do governo brasileiro (publicado em 31 de agosto passado) que aumentou a cota de importação de etanol de milho dos Estados Unidos.

Antes eram 600 milhões, agora são 750 milhões de litros que podem entrar por ano no país sem pagar nenhum imposto. Pior, sem nenhuma compensação.

Para Trump, a medida está trazendo “grandes progressos para agricultores” – os norte-americanos, é claro. “Será ainda melhor para o etanol e nós vamos salvar as nossas pequenas refinarias.”, disse no Twitter.

Se a exportação ajuda Trump a salvar os seus, a importação provoca danos irreparáveis aos nossos.

Sem tarifa, o etanol americano chega mais barato por aqui (o nosso continua pagando todas as taxas) e deve fazer um estrago ainda maior no setor sucroalcooleiro do Nordeste.

Praticamente toda a importação do etanol dos EUA é feita a partir do Maranhão e afeta principalmente o setor canavieiro nordestino, responsável por cerca de 300 mil empregos na região.

A medida, avisam produtores, agrava a crise no setor, que está começando uma nova safra. O etanol verde-amarelo, ao contrário do americano, continua pagando todos os impostos a que um produto brasileiro tem “direito”.

Para tentar reverter o impacto negativo do aumento da importação, a Novabio, associação que reúne produtores do Nordeste, apresentou uma proposta que pode evitar a quebradeira do setor.

A proposta, que prevê a importação proporcional à produção de etanol de cada região do país, foi apresentada a Marcos Prado Troyjo, secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

“Nesse contexto e enquanto a referida não for revogada ou perca a eficácia solicitamos com urgência que a referida isenção dos 750 milhões de litros seja aplicada na forma abaixo:

6,5% equivalentes a participação do Nordeste na produção nacional de etanol, sejam descarregados em portos do Nordeste.

93,5% equivalentes a participação do Centro-Sul na produção nacional sejam descarregados nos portos do Sul.

Desta forma estar-se-ia, possibilitando uma transição até a revogação da Portaria e no conceito de abastecimento nacional, destinando o produto importado para cada região, de acordo com sua relatividade na produção”, diz o ofício enviado ao secretário.

O deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL) vem trabalhando em Brasília para que o governo federal adote estas ou outras medidas compensatórias para o Nordeste.

Ele tem evitado falar publicamente sobre a polêmica, mas já se sabe que deve apresentar um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) propondo a revogação da portaria, caso o governo federal não adote modelos que evitem perdas econômicas para os produtores nordestinos.

Isnaldo faz parte da mesa diretora da Câmara Federal, transita com naturalidade na bancada federal do Nordeste e consegue ser ouvido por vários setores do governo federal – inclusive Agricultura e Economia.

O deputado tem usado sua rede de relacionamentos em Brasília para tentar amenizar os efeitos nocivos da importação no Nordeste. Se o governo não ceder, é provável embate sobre a pendenga no plenário da Câmara.

Reação

Além de Isnaldo Bulhões, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) também já se manifestou contrariamente à portaria do governo federal que aumenta a cota de importação de etanol sem impostos.

“Como representante de Alagoas, o sétimo produtor de etanol quero expressar a minha inconformidade com a incompreensível e inexplicada subserviência brasileira quanto ao etanol”, disse.

A medida, reforça Renan, afeta as empresas brasileiras: “O governo brasileiro elevou para 750 milhões de litros a cota para importações anuais de etanol sem tarifa, pasmem, que irá vigorar por 12 meses. Óbvia a reação. Trump salva suas pequenas refinarias e nós condenamos as nossas”.

Na avaliação do senador, o Brasil vai ajudar a amenizar problemas internos dos EUA: “A guerra comercial com a China criou dificuldades de exportação para os produtores do meio oeste, uma base politica relevante para as pretensões da reeleição de Trump”.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado, Rafael Brito, também saiu em defesa dos produtores. “Precisamos defender as indústrias alagoanas! Ao contrário da medida do presidente Bolsonaro, que prioriza e favorece as indústrias americanas em detrimento das do Brasil, o Governo do Estado tem adotado uma política de incentivos fiscais e de recuperação do segmento”, afirmou.

Segundo Brito, os incentivos do Estado tem ajudado a recuperar o setor em Alagoas: “após chegar a uma moagem de 13 milhões de toneladas, a expectativa é chegar a 18 milhões já nesta safra, podendo crescer 22 milhões nos próximos anos”, diz.

Produtores

A decisão do Governo Federal de ampliar de 600 milhões para 750 milhões de litros a cota de importação do etanol, com tarifa zero (Portaria nº 547, do Ministério da Economia, do dia 31 de agosto), provocou uma forte reação entre representantes da agroindústria canavieira e do governo de Alagoas.

Segundo a Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bionergia – Novabio, a nova cota, que representa 36% da produção Nordeste, deve gerar para o país uma renúncia fiscal de R$ 270 milhões.

A importação de etanol sem impostos deve afetar os preços do etanol forçando as usinas do Nordeste a direcionar mais matéria-prima para a produção de açúcar. Como o preço do açúcar está em baixa no mercado internacional, o que se espera é uma queda na remuneração dos produtores, que deve afetar indústria e fornecedores de cana .

“A importação vai fazer com que as usinas reduzam a produção de etanol e vai atrapalhar a nossa produção do biocombustível que é um dos produtos mais viáveis de se produzir agora, principalmente, aqui no Nordeste”, diz o presidente da Asplana, Edgar Filho.

Isnaldo Bulhões trabalha para reverter efeitos danosos da importação de etanol para Alagoas